quinta-feira, 10 de abril de 2014

E é isso...

A beira do precipício tinha a opção de morrer ou cair em teus braços... respirei fundo e vi que era melhor voltar para a casa. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Caio para reviver.



Não existem fórmulas certas, os mesmos remédios reagem de maneira diferente em corpos diferentes...
Caio para reviver o amor que a tanto me enlouqueceu.. a ferida não cicatrizou porque sempre alguém arranca as cascas, apenas para fazer arder.
Venho nessa solidão porque a loucura é a melhor companhia... pessoas sãs não me entenderiam e me entediariam... estou impura desde que fui contaminada pelo seu beijo.
E o que a gente faz? A gente vive.
E se eu ainda te amar amanhã? O que é que tem? Eu já me curei de pneumonia paralitica crônica, de estado agudo.. você não seria nada perto dos meus parasitas..

E se você a cada dia acordar mais belo? Eu ainda assim vou sobreviver.. na esperança de te olhar um dia em uma foto e dizer: Meu Deus, era apenas isso... 


Patricia Roeher

terça-feira, 1 de abril de 2014

Loucura..



E se você me disser que isso tudo não é obra da saudade, da nossa saudade, eu paro de respirar.
A loucura tomou conta desse espaço limitado pela minha pele.. invadiu todas as minhas células como um choque de estranheza. Eu ri para não chorar...
Quando eu vi você indo embora, eu fiz cara de paisagem, sorri e disse, e daí? Ele volta... passou uma semana e eu repeti, ele volta... passou um mês, uma estação, um ano... e eu ainda estava lá... coberta pelas folhas, enraizando saudade.
Sabe, confesso que até tive uma leve esperança de te ver voltar quando apareceu na esquina um novo chapelão carregando uma sacola.. nela continha esperança, mas logo percebi que era toda passada da validade.. eu corroí as unhas, aquelas que você sempre pedia para eu deixar crescerem.. qual era a definição que você dava mesmo? Ah, charmosa!
Sua nova amante usa as unhas compridas.. é, eu vi ela.. é estranhamente feia, tão diferente de mim que sou estranhamente louca.. acho que o estranho lhe atrai.

Nossas diferenças? Não sei.. nossas semelhanças? A doença que você nos contaminou eu daria o seu nome.. e espero o quanto antes dar o meu... o seu nome pelo vírus, o meu por ter descoberto a cura.


Patricia Roeher

segunda-feira, 31 de março de 2014

Eu gostaria...

Eu só queria que o seu silêncio fosse saudade, que a sua ausência fosse tristeza e que o seu sorriso fosse falso. Queria que os seus beijos não fossem os mesmos, que o seu corpo não sentisse desejo e que você nunca mais fosse igual.
Quando eu menti ter desistido, tentei me jogar em seus braços, mas você sorriu.. e partiu. Eu vi que você sofreu e falei para mim mesma.. espera. E esperei.. sozinha, esperei e cansei. Era o fim.
E hoje, quando me perguntam o que aconteceu, minha cara de pau responde que era tarde de mais, que estou bem e é melhor mudarmos de assunto. E você sabe que eu não estou legal, eu ainda choro e não consigo ser sincera nem comigo mesma, imagina com você.
O meu amor se escondeu atrás de um belo ponto de interrogação instalado em letras garrafais, fonte Arial 1000. Pesadinho esse ponto, sabe? Pesado de mais para carregar sozinha.
Eu não sei aonde você foi parar, mas aqui dentro está tão apertado, tem tantas coisas me sufocando para deixar quieto, as vezes a única coisa que a gente precisa, é gritar, gritar até perder a voz, até você perder a audição, a paciência.

Não, eu não desisti de ser louca... e acho que se eu desistir, me perco em mim, então prefiro me perder em você, que é mais gostoso.


Patricia Roeher 

Ela não vai voltar.

Voltei a escrever.. quero compartilhar com vocês..


Ela não vai voltar.


Exatamente 3 semanas após o fim, ele descobriu que ela não vai voltar, e foi assim que ele colocou a sua roupa meio amassada que estava jogada, ao lado da cama.. como ele mesmo deixou, após chegar bêbado na madrugada anterior. Caso ela estivesse em casa, a roupa teria sido colocada no cabide.. exceto em noites de amor onde a camisa dele se misturava com as meias dela, em um perfeito conjunto assim como os seus corpos se encaixavam.
E foi assim que a saudade invadiu seu peito, uma mistura de desgosto com amargo invadiu sua garganta, e ele tentou tirar esse gosto com cerveja barata... acendeu um cigarro como há muito não fazia, e procurou as curvas do corpo dela entre a fumaça que saia pela sua boca.
Ele não chorou, sufocou a dor no peito e descobriu que antes tivesse infartado, a dor seria mais suave.. e começou a andar pela casa.. primeiro para a direita e depois pela esquerda, pensando em jogos, nos lábios dela, em contas, nas coxas dela, em trabalho, no sorriso dela que não saia da sua mente..
E lembrou de quando se conheceram, quando ainda tinha 16 anos e viu aquela moça tímida sentar na segunda cadeira, no canto da sala.. Ela era timidamente sensacional, mal sabia que se encontrariam anos mais tarde e ela mudaria com toda aquela metamorfose.. ele quis cortar as asas dela para que ela não  voasse, mas ela voou... e ele não podia fazer mais nada. Ele não a domina mais. E ele se arrependeu de tê-la feito chorar, por fingir que não sabia que ela chorava timidamente durante a noite.. e ele nem sabia que ela também chorava durante o banho.
Estava feito, era tarde para pedir para ficar... e muito cedo para pedir para sair (da sua vida).


Patricia Roeher.