E se você me disser que isso tudo não é obra da saudade, da nossa
saudade, eu paro de respirar.
A loucura tomou conta desse espaço limitado pela minha
pele.. invadiu todas as minhas células como um choque de estranheza. Eu ri para
não chorar...
Quando eu vi você indo embora, eu fiz cara de paisagem,
sorri e disse, e daí? Ele volta... passou uma semana e eu repeti, ele volta...
passou um mês, uma estação, um ano... e eu ainda estava lá... coberta pelas
folhas, enraizando saudade.
Sabe, confesso que até tive uma leve esperança de te ver
voltar quando apareceu na esquina um novo chapelão carregando uma sacola.. nela
continha esperança, mas logo percebi que era toda passada da validade.. eu corroí
as unhas, aquelas que você sempre pedia para eu deixar crescerem.. qual era a
definição que você dava mesmo? Ah, charmosa!
Sua nova amante usa as unhas compridas.. é, eu vi ela.. é
estranhamente feia, tão diferente de mim que sou estranhamente louca.. acho que
o estranho lhe atrai.
Nossas diferenças? Não sei.. nossas semelhanças? A doença que você nos contaminou eu daria o seu nome.. e espero o quanto antes
dar o meu... o seu nome pelo vírus, o meu por ter descoberto a cura.
Patricia Roeher
Patricia Roeher

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